terça-feira, 7 de abril de 2009

O TEMPO (E A FALTA DELE)


Praticamente um mês depois, eis que ressurjo da minha absoluta falta de tempo para um alô nesse blog. Curiosamente, fiquei mais sem tempo desempregada do que quando estava empregada. Sem emprego, é verdade, mas não sem trabalho, vale dizer. E aí é que mora o perigo: a gente acaba achando que ser dono do próprio tempo é fácil. Vixe, não é mesmo. No emprego formal, há horário fixo e um número de tarefas a cumprir. Uma vez feitas, pronto, é hora de correr pro abraço. Quando você é autônomo, freela (ou frila, abrasileiradamente) – como são chamados os free lancers, trabalhadores eventuais – o tempo é seu e ao mesmo tempo, não lhe pertence. Ao menos é como tem sido a experiência pra mim. Pra começo de conversa, descobri que quem trabalha em casa, aos olhos da sociedade (o que inclui toda a sua rede de relacionamentos) não trabalha. O que significa dizer: todo mundo acha que você pode fazer qualquer coisa a qualquer hora do dia. Não tem tempo? Mas como, você não está trabalhando! E aí querida, vai fazer o que hoje? Trabalhar, oras! No meu caso, a lista de itens a “ticar”, ou seja, o trabalho, inclui: pautas pra pensar, textos para produzir, um roteiro para parir, uma aula para preparar, um projeto de assessoria para criar... E como não tenho que bater ponto nem compromisso de fechamento, vou fazendo tudo e mais um pouco. No meio disso, adeus blog. Senti falta, mas não deu tempo.
Tempo, é sempre bom lembrar, não é questão de preferência não. Fosse assim, as pessoas fariam só o que gostam. Ou o que têm vontade. Infelizmente, o tempo é a forma como você divide suas prioridades, sendo que, no topo da lista está o que garante a sua subsistência. E é ali que você vai empregar boa parte do seu tempo, quer queira ou não.
Ter tempo é o sonho de consumo das mulheres do século XXI. E esse senhor - o tempo - só não voa na música da Madonna ("time goes by so slowly"). Porque na vida real, o tempo passa rápido sim. É cruel. Nos deixa querendo ter mais dele. Tempo pra aprender, trabalhar, namorar, cuidar dos filhos, do corpo, da pele, da alma, da cabeça. Tempo pra fazer o que é preciso e o que é prazer. Tempo pra dar conta de tudo e não sentir-se culpada por nada. Tempo para ser. Para existir. Para respirar. Tempo para viver bem cada tempo.
Como é meu sonho de consumo, ele me falta. De modo que, envolvida entre as muitas tarefas que vão garantir o din-din, as pendengas domésticas, as "burocras" da rotina, a dança, as crises existenciais, as coisas de mulherzinha, as demandas de filho e marido e, ufa, os compromissos sociais, faltou tempo pro blog. Mas não faltou assunto. Por isso, se tudo der certo, voltarei a escrever com um mínimo de assiduidade aqui. Ou corro o risco de perder os poucos – porém bons e fiéis – leitores que tenho. Não me abandonem. Ne me quitte pas. E, falando nisso, tenho um assunto que envolve a Piaf. No próximo capítulo. Até lá!

5 comentários:

Srta T disse...

Oi... tentei achar teu email aqui. Como não tinha deixei esse comentário.

Puxa vida, não sabia que vc conhecia o blog... As vezes esqueço que ele é lido, sabe? ; )
Obrigada pela paciencia de se interessar, e por ter se sensibilizado com ele. gosto que as pessoas achem isso de alguma forma interessante. achei o teu. e vou ler.

um beijo grande, com carinho

Anônimo disse...

Oi, Rê, apesar desse seu momento Collor, não te deixarei só.
Beijo,
Tati.

Lelê Fagundes disse...

Sempre te leiooooooo!!! E sempre adoooro. Pra variar, me identifiquei de novo...credo, Renata, assim eu ficarei muito repetitiva!!

caurosa disse...

Minha cara Rê, pois é, eu também acho que nós somos donos e senhores( donas e senhoras) do nosso tempo!

Paz e harmonia em sua vida,

forte abraço

Caurosa

tiaselma.com disse...

Estou tendo o prazer de conhecer seus posts via Caurosa.
Pretendo voltar. Posso?

Abraços.

Selma Barcellos (www.tiaselma.com)