
Há dois lugares onde o ser humano (especialmente o brasileiro, paulistano e do sexo masculino) revela seu lado mais cavalheiro e gentil: no trânsito e no futebol. É tanta educação que me emociono. Meu prédio fica na esquina de um cruzamento perigoso onde infelizmente, assistimos batidas de carros quase todos os dias, de camarote. É só ouvir uma freada e correr pra sacada: pronto, mais um. Sábado à tarde, eu estava deitada com meu filho para aquela sonequinha pós-almoço quando ouvi a freada. Dessa vez, não foi a colisão que veio em seguida, mas um sonoro e grave: vai se f* seu filho da p*! E a resposta: vai tomar no seu c*! Em seguida, uma acelerada com direito a cantada de pneus. Como moro no décimo segundo andar, escuto o que acontece lá embaixo com efeito surround, por conta dos prédios vizinhos. É como se a discussão fosse na sala ao lado - uma acústica incrível. Levantei e abri a janela. Pelo que entendi, alguém fechou alguém, ou não deu passagem, ou qualquer coisa ridícula do gênero. O que ficou para trás não deixou barato e iniciou a troca de gentilezas. Foram emparelhados vociferando os impropérios até o quarteirão seguinte, quando os perdi de vista. Isso porque nenhum deles tinha uma arma, claro. Caso contrário, a coisa tinha se resolvido na primeira esquina.
Ontem, domingo, cheguei do almoço em uma festa infantil e, novamente, fui tirar a sonequinha com o pequeno. Ignorei o futebol. Pra mim, futebol só existiu até os anos 90, quando Leonardo, Raí e Zetti jogavam no São Paulo, Jürgen Klinsmann era atacante – e não técnico - da seleção alemã e o príncipe de Roma era um sujeito chamado Giuseppe Giannini, o homem mais bonito do futebol em todos os tempos. De lá pra cá, com Ronaldos, Kakás e Keirrisons a coisa piorou muito. De modo que o futebol não tem mais nenhuma razão de ser na minha vida.
Mas, como eu ia dizendo, estava deitada, iniciando aquele momento preguicento pré-soneca, meu filho já com os olhinhos fechando, quando escuto a primeira cornetada. Imediatamente, mais cornetas, gritos de gol, fogos, e as gentilezas habituais, nas janelas vizinhas: “toma, curíntia”. Ao que o corintiano logo responde: “vai tomá no c*, porco!” O que pode ser mais imbecil – e grosseiro - do que um bando de sujeitos berrando nas janelas e sacadas de seus apartamentos por causa de vinte e dois indivíduos correndo atrás de uma bola durante noventa minutos? Me recuso a tentar entender.
Algum tempo depois, estamos quase dormindo de novo Beleza, se ninguém mais fizer gol, o sono vai rolar. Quase rolou. No final do jogo, soube depois, Ronaldo fez o gol do “Corinthia”. Mais cornetas, fogos, gritos e troca de afetuosidades: “chupa, porco”! “Vai se f* seu corinthiano filho da p*!”.
Ah, não é fácil, não. Na minha casa, domingão, e não consigo tirar uma soneca com meu filho. Ele, que tem dois anos e aprendeu a falar há pouco, repete tudo o que ouve. Com a já citada acústica do quarteirão, logo aprendeu: “upa, ôco. Tomá ú!” Quase desmaiei. Era só o que me faltava. Filho, vamos brincar com o trenzinho?
Crianças aprendem rápido, mas por sorte esquecem num minuto também. Espero não vê-lo nunca xingando alguém na janela do carro ou pendurado na sacada de seu apartamento mandando o torcedor do time adversário chupar o que quer que seja. Homens não são mais machos porque agem assim. São apenas mais trogloditas, mal educados, selvagens. No dia internacional da mulher, só desejei que meu pequeno homenzinho não seja mais um boçal, como os tantos que existem por aí.
Ontem, domingo, cheguei do almoço em uma festa infantil e, novamente, fui tirar a sonequinha com o pequeno. Ignorei o futebol. Pra mim, futebol só existiu até os anos 90, quando Leonardo, Raí e Zetti jogavam no São Paulo, Jürgen Klinsmann era atacante – e não técnico - da seleção alemã e o príncipe de Roma era um sujeito chamado Giuseppe Giannini, o homem mais bonito do futebol em todos os tempos. De lá pra cá, com Ronaldos, Kakás e Keirrisons a coisa piorou muito. De modo que o futebol não tem mais nenhuma razão de ser na minha vida.
Mas, como eu ia dizendo, estava deitada, iniciando aquele momento preguicento pré-soneca, meu filho já com os olhinhos fechando, quando escuto a primeira cornetada. Imediatamente, mais cornetas, gritos de gol, fogos, e as gentilezas habituais, nas janelas vizinhas: “toma, curíntia”. Ao que o corintiano logo responde: “vai tomá no c*, porco!” O que pode ser mais imbecil – e grosseiro - do que um bando de sujeitos berrando nas janelas e sacadas de seus apartamentos por causa de vinte e dois indivíduos correndo atrás de uma bola durante noventa minutos? Me recuso a tentar entender.
Algum tempo depois, estamos quase dormindo de novo Beleza, se ninguém mais fizer gol, o sono vai rolar. Quase rolou. No final do jogo, soube depois, Ronaldo fez o gol do “Corinthia”. Mais cornetas, fogos, gritos e troca de afetuosidades: “chupa, porco”! “Vai se f* seu corinthiano filho da p*!”.
Ah, não é fácil, não. Na minha casa, domingão, e não consigo tirar uma soneca com meu filho. Ele, que tem dois anos e aprendeu a falar há pouco, repete tudo o que ouve. Com a já citada acústica do quarteirão, logo aprendeu: “upa, ôco. Tomá ú!” Quase desmaiei. Era só o que me faltava. Filho, vamos brincar com o trenzinho?
Crianças aprendem rápido, mas por sorte esquecem num minuto também. Espero não vê-lo nunca xingando alguém na janela do carro ou pendurado na sacada de seu apartamento mandando o torcedor do time adversário chupar o que quer que seja. Homens não são mais machos porque agem assim. São apenas mais trogloditas, mal educados, selvagens. No dia internacional da mulher, só desejei que meu pequeno homenzinho não seja mais um boçal, como os tantos que existem por aí.
8 comentários:
Oi Re,
Me diverti com o seu texto principalmente com o upa, ocô do Gabe! Foi demais!
Na verdade não nos resta muito a não ser nos divertir com o seu texto porque na real é o fino do balaco-baco ouvir todos os elogios trocados em gritos entre os diversos torcedores,... que são torcedores de quê?
Coloquei em dia minha leitura. Obrigad!
Bjo DRI
kkkkkkkkkk
"upa ôco"
sensacional!
ótimoooooooo
Hahahahahahaha!
Da próxima vez que seu homenzinho falar "upa, ôco", grave e me presenteie com o DVD. Tô precisando dar umas risadas.
Beijo,
Tati.
Ai Re...amei seu texto...
Concordo profundamente, pois me incomodo demais com essa falta de educação, que eles ainda por cima acham que estão arrasando!
E como sua ex-vizinha te digo...o pior de todos eles mora no prédio de trás, é um louco que quase se joga da janela a cada jogo, cuspindo todos os palavrões que conhece. Próximo jogo, fone de ouvido com música alta pro Gabe!!!
beijoooooo
Tati Sanchis
hahahaha, Re, adorei o texto, super divertido e realista, infelizmente... Não consigo pensar num desejo mais apropriado p dia das mulheres!!! ;O)
Sempre q der - e lembrar! rsrs - darei uma passadinha!!
Bjoca!!!Carol (jazz!)
Re, sou sua fã!
Você escreve e descreve de maneira peculiar ;)
Infelizmente moramos numa cidade onde as pessoas acham, que no trânsito, vão ganhar rios de dinheiro se não derem passagem(só para ficar apenas um carro a sua frente) ou se pararem no farol do quarteirão seguinte, ao invés do farol anterior(para isso só faltam passar por cima).
E para quê??? Pergunto eu... nós!
Adorei seu texto!
Aliás não podemos (você, eu ajudo -rs) deixar de fazer aquele sobre as bóias hahaha
"vou te contar pra vc, viu"
Beijos vizinha
Minha cara amiga Renata, as mulheres de hoje estão precisando não só de um dia, mais também de cumplicidade, amizade, carinho, dignidade, parceria, muito respeito e sexo com amor. Com a palavra os homens...
Paz e harmonia para você,
Forte abraço
Caurosa
Rê, ri e refleti de novo, né!! Tem muita razão! Eu mesma já saí por aí xingando todo mundo no trânsito...gente, vai levar a que???
Puxão de orelha!!!
Agora, mais uma coisa. Passa lá no lefagundes.blogspot e pega o selinho que eu te dei! (rs)
beijocas
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