
Depois de anos (décadas, talvez?) de o “Oscar vai para” (And the Oscar Goes to...) fiquei feliz em ouvir o “and the winner is...” de novo. Sem essa de politicamente incorreto. Vencedor é vencedor. E ponto final. Desde criança assisto a premiação – do início ao fim sem perder uma só categoria. Adoro os vestidos, os discursos, as performances, as homenagens, o momento de relembrar os que morreram no último ano. Um bocado de gente não se conforma: “é chato, piegas, cansativo, previsível, injusto, cafona, sem graça.” Ah, vai saber, sou fascinada desde criança, quando negociava com meu pai para poder ficar acordada até mais tarde vendo a cerimônia. Ele deixava, afinal era o acontecimento televisivo do ano pra mim e uma negativa poderia render meses de bico. E eu ficava sentadinha, caderninho na mão, anotando todos os winners, um a um, até a hora que fosse. E, naquela época, podia levar quase a noite toda. Algumas vezes, a premiação, que há alguns anos acontecia no final de março e sempre às segundas feiras, caía bem no dia do meu aniversário. Tá vendo, eu dizia, é em minha homenagem!
Com o tempo, é verdade, foi perdendo um pouco a graça. Ou porque fiquei mais velha, ou porque a festa já não tinha o mesmo brilho de antes mesmo. Um dos motivos foi a ausência cada vez maior daqueles números musicais cheios de luzes e cores, coreografias bem "Broadway encontra Hollywood". Sim, eu gosto. Não saio contando por aí, mas adoro aquelas cafonices. Hoje, curiosamente, li no jornal que a cerimônia foi melhor esse ano, mais “enxuta” para agradar ao público em geral. Ouvi o mesmo comentário no trabalho: “Que bom, esse ano não teve aqueles musicais chatos”.
Ah, não! Bom mesmo eram aqueles números de dança beeeem longos, os discursos sem interrupção da orquestra, com direito a chororô e melodrama, as homenagens intermináveis. Eu ia dormir às quatro da manhã, feliz. E não posso me esquecer de outra pérola daqueles tempos: as apresentações, ao vivo, das canções indicadas. Aquelas músicas que grudavam na cabeça para sempre, tipo: “To Sir with Love”, “The way we were”, “Arthur´s Theme”, “Up where we belong”, “Fame”, “Flashdance”...
Quer saber o pior? Sim, eu canto essas músicas quando elas tocam no rádio porque sei as letras. E, bom, já que comecei, chega de vergonha: sim, eu sei as coreografias de Fama, Flashdance e Dirty Dancing. E se você acha que não dá pra piorar, tome essa: eu me acabo de chorar toda santa vez que vejo Laços de Ternura, Kramer vs. Kramer e O Campeão.
Tá, pronto, falei.
**********************************
* Adorei a Kathryn Bigelow ter ganhado. Derrotar o ex-marido poderoso em diversas categorias, surgir linda e bela enquanto ele parece uns quarenta anos mais velho e acabado e ainda por cima ser a primeira mulher a levar a estatueta como diretora, isso sim é que é ser winner. O resto é conversa.
* Tudo bem que o Christoph Waltz, de Bastardos Inglórios, teve uma atuação sublime, beirando a perfeição, mas o Oscar tinha que ter ido pro Christopher Plummer. Por que? Ora, porque... Porque ele é o Capitão Von Trapp, ora bolas. E fim de conversa.
***********************************
Ps.: Como dá pra notar, eu voltei. Não me proponho ser assídua, mas prometo ser honesta. Se gostar, volte sempre. Agradeço a visita.
3 comentários:
Puxa que saudades! que bom saber que você voltou...
Cafonices a parte, também tive uma época de OSCAR, mas agora conto com os detalhes do dia seguinte, não aguento ficar acordada mesmo!
Cinema é uma maravilha!
Felicidades...
Obrigada por nos prestigiar com sua presença e seus comentários....
Tudo sempre tão direto..tão inteligente ... me perdoe se soa meio cafona mas, lá vai : sou sua fã !!!
Bjs....
Olá.
Chato é a empulhação antes e depois da premiação, visando promover filmes meramente comerciais. E a cerimônia é muito longa, as piadas são as mesmas todos os anos... Mesmo assim, assisto sempre que posso. Ou seja: a propaganda é a alma do negócio.
Saudações
Adh
Postar um comentário