
Durante os oito anos em que fui repórter do programa do Jô (desde que era Jô Onze e Meia, no SBT e, mais tarde, na Globo), tive a sorte – e o azar – de entrevistar muita gente, de todos os tipos. Meu ofício incluía entrevistar as pessoas que poderiam ou não sentar naquele sofá, avaliar se rendiam uma entrevista e preparar um roteiro de perguntas. Assim, já entrevistei do presidente da república a um maluco que vende produtos na praia cantando. O engraçado é que, depois de um tempo, a maior parte das entrevistas se repete. Políticos, por exemplo. Dizem sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito – no plural majestático: construímos isso, realizamos aquilo... É sempre a mesma ladainha.
Os artistas, salvo muito raras exceções, também se repetem. Nas primeiras entrevistas, me lembro de como ficava feliz em poder conversar com aquele músico/ator/diretor que tanto admirava. Depois, calejada, pensava: “mais um mala”...
Uma grande atriz brasileira, famosa, respeitada, premiada e citada como referência por seis em cada oito jovens aspirantes à fama, foi uma das pessoas mais chatas com quem já conversei na minha vida inteira. Não respondia nada direito, monossilábica, foi incapaz de contar qualquer passagem interessante sobre a própria vida. Foi uma tremenda decepção.
Em geral, o assunto não sai muito de como foi fazer o filme/novela/peça, o que o atraiu no personagem, como se preparou para o papel... A coisa não muda muito com cineastas. Eles podem fazer um trabalho incrível nas telas, mas o papo é quase sempre sofrível. Lembrei disso ao ler, hoje der manhã, a entrevista que o Merten fez com Jon Avnet no Estadão. Estava lá – capa do Caderno 2, um diretor de cinema brilhante, o homem que fez um dos mais belos filmes das últimas décadas – Tomates Verdes Fritos. Está lançando seu novo filme, estrelado pelos maravilhosos Al Pacino e Robert de Niro. A conversa prometia, mas foi apenas igual a tantas outras que já li e já fiz. Avnet conta como se envolveu com o projeto, como foi trabalhar com de Niro e Pacino, e como lidou com as críticas do filme. Era Jon Avnet, mas poderia ser Bob Zemeckis, Ridley Scott, Peter Jackson, Fernando Meirelles... Esse último, aliás, esteve no Roda Viva há algumas semanas. No Roda há três anos, não entrevisto mais pessoas, mas vejo as mesmas entrevistas se repetirem. Meirelles, lançando Ensaio sobre a Cegueira, falou as mesmas coisas em todas as entrevistas que deu: como conseguiu os direitos sobre o livro, como Saramago reagiu ao filme, como foi trabalhar com Julianne Moore. Até quem é tão fascinada por cinema como eu não agüenta mais tanta falta de assunto.
Me deu saudades de algumas pessoas maravilhosas e totalmente anônimas, mas com histórias de vida impressionantes com quem tive a oportunidade de conversar ao longo da minha carreira de jornalista entrevistadora. Gente como Nannete Konig, como Roberto da Silva, Pierre Farkasfalvy, Flávio Capitulino. Você não sabe quem eles são, mas acredite, do presidente ao cineasta famoso, passando por aquele músico que você adora, esses desconhecidos aí tinham muito mais a dizer. Gente que viveu a vida, e não foi um mero expectador dela. Entrevistei algumas pessoas assim. E essas pessoas foram, sempre, as mais encantadoras. Com algumas delas, passei horas papeando - mesmo que, na hora da gravação, não passassem de quinze minutos no ar. A partir dos próximos posts, vou dividir com os leitores desse blog algumas dessas histórias. Aguardem!
Os artistas, salvo muito raras exceções, também se repetem. Nas primeiras entrevistas, me lembro de como ficava feliz em poder conversar com aquele músico/ator/diretor que tanto admirava. Depois, calejada, pensava: “mais um mala”...
Uma grande atriz brasileira, famosa, respeitada, premiada e citada como referência por seis em cada oito jovens aspirantes à fama, foi uma das pessoas mais chatas com quem já conversei na minha vida inteira. Não respondia nada direito, monossilábica, foi incapaz de contar qualquer passagem interessante sobre a própria vida. Foi uma tremenda decepção.
Em geral, o assunto não sai muito de como foi fazer o filme/novela/peça, o que o atraiu no personagem, como se preparou para o papel... A coisa não muda muito com cineastas. Eles podem fazer um trabalho incrível nas telas, mas o papo é quase sempre sofrível. Lembrei disso ao ler, hoje der manhã, a entrevista que o Merten fez com Jon Avnet no Estadão. Estava lá – capa do Caderno 2, um diretor de cinema brilhante, o homem que fez um dos mais belos filmes das últimas décadas – Tomates Verdes Fritos. Está lançando seu novo filme, estrelado pelos maravilhosos Al Pacino e Robert de Niro. A conversa prometia, mas foi apenas igual a tantas outras que já li e já fiz. Avnet conta como se envolveu com o projeto, como foi trabalhar com de Niro e Pacino, e como lidou com as críticas do filme. Era Jon Avnet, mas poderia ser Bob Zemeckis, Ridley Scott, Peter Jackson, Fernando Meirelles... Esse último, aliás, esteve no Roda Viva há algumas semanas. No Roda há três anos, não entrevisto mais pessoas, mas vejo as mesmas entrevistas se repetirem. Meirelles, lançando Ensaio sobre a Cegueira, falou as mesmas coisas em todas as entrevistas que deu: como conseguiu os direitos sobre o livro, como Saramago reagiu ao filme, como foi trabalhar com Julianne Moore. Até quem é tão fascinada por cinema como eu não agüenta mais tanta falta de assunto.
Me deu saudades de algumas pessoas maravilhosas e totalmente anônimas, mas com histórias de vida impressionantes com quem tive a oportunidade de conversar ao longo da minha carreira de jornalista entrevistadora. Gente como Nannete Konig, como Roberto da Silva, Pierre Farkasfalvy, Flávio Capitulino. Você não sabe quem eles são, mas acredite, do presidente ao cineasta famoso, passando por aquele músico que você adora, esses desconhecidos aí tinham muito mais a dizer. Gente que viveu a vida, e não foi um mero expectador dela. Entrevistei algumas pessoas assim. E essas pessoas foram, sempre, as mais encantadoras. Com algumas delas, passei horas papeando - mesmo que, na hora da gravação, não passassem de quinze minutos no ar. A partir dos próximos posts, vou dividir com os leitores desse blog algumas dessas histórias. Aguardem!
4 comentários:
Rêeee! Gostei muito desse post! Me fez refletir bastante! Ainda estou na fase de adorar a maioria das entrevistas que faço e de querer ficar amiga de todas as pessoas com quem converso. Às vezes tenho uma decepção aqui e ali. Mas é engraçado. Como é gostoso não esperar nada de alguém e esse mesmo alguém te ensinar tantas coisas, mesmo que sem querer, né? Por isso que eu "cuido" muito por aí e falo com tanta gente esquisita na rua! ahahahah
Sempre estou por aqui, viu! Admiro muito seu trabalho!
beijos
Oi, Rê, falou tudo.
Graças à prática diária, logo no início de uma entrevista, já identifico se ela será burocrática ou não. Daí nem leio mais. São os anônimos que nos fazem rir e pensar na vida. Se ele deu certo vendendo pipoca do saquinho rosa, por que não eu?
Beijos,
Tati.
Oi Rê, eu acho fantástico o seu trabalho e de todos os jornalistas que exercem esta difícil e árdua tarefa com paixão e competência. O contato diário com pessoas famosas e não tão famosas, parece-me muito gratificante. Paz e harmonia para vocês.
Forte abraço
CAUROSA - caurosa.wordpress.com
Querida Renata,
Atrasada, depois de uma semana mamando, no bom sentido, venho compreender o que você havia me dito no último dia 6. Mudança sempre é bom, mas tenho de lhe confessar que não desgostava do "Direto da Caixa", pois se tratando de profundidade ou não (bastante relativo) a Caixa é sua!
Baú de Re-talhos é legal, mas o termo me remete ao tempo da vovó. Mesmo que você seja amante do(s) passado(s), não significa que você seja antiga. Acho-te muito mais para moderna..., pois você é mãe, esposa, dona-de-casa e profissional. Dá um ralo danado pra atender a demanda e acima de tudo estar antenada, ser fashion e de preferência com as unhas arrumadas, porque se começar a aparecer cabelos brancos, vixe...tá danado!
Quanto ao assunto deste Post tenho a dizer que nada como amadurecer e aprender arduamente a ler entre linhas!
Bjo imenso
DRI
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