quinta-feira, 8 de maio de 2008

PEOPLE GOT TO BE FREE


Se tem uma coisa que eu prezo – acima de tudo – é a liberdade. Admiro quem consegue ser livre e exercer sua liberdade sem problemas, sem dramas, sem arengas. Isso não é coisa pra qualquer um. Veja, por exemplo, a Lya Luft, que foi a entrevistada do Roda Viva da última segunda-feira.
Os entrevistadores repetiram, algumas vezes, no início das perguntas: você disse, você escreveu, você falou... Lá pelas tantas, Lya responde que estava ficando com certo medo do “você disse, você escreveu”. E explicou que diz e escreve o que sente, o que pensa, sem se preocupar em levantar bandeiras ou defender pontos de vista. Nas palavras dela: “é a minha opinião, é o que eu acho”. Ela não quer convencer ninguém de nada. Só está sendo livre para se expressar, para ser ela mesma.
Os jornalistas, sabe como é, precisam de mais do que apenas achismo. É preciso ter argumentos. Como é que se diz algo sem fundamentação? Como é que se convence o outro, o leitor, daquilo que está defendendo? E perguntaram à Lya sobre um texto que ela escreveu, há algumas semanas, em sua coluna na Revista Veja, onde defendia a pena de morte em caso de crimes hediondos, inclusive para menores de idade. Queriam saber se ela acreditava que a medida reduziria a violência, esperando uma eloqüente e argumentada defesa de seu ponto de vista. Mas o que veio foi: “não sei, mas eu certamente me sentiria melhor. É a minha opinião”.
Adorei a resposta. Não porque concorde com ela, muito pelo contrário, sou contra a pena de morte. Mas porque achei que Lya Luft foi muito livre em sua resposta. Liberdade é ter coragem para ser você mesmo. Hoje, é preciso ser muito livre para ser autêntico.

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Liberdade é um troço que muita gente gostaria de ter, mas acredita que é só para quem tem muito dinheiro. E aí, liberdade fica confundida com tudo aquilo que se pode comprar. Mas pode ser o inverso. Um dia desses li uma matéria da Revista Vida Simples que dizia que dinheiro é tempo – o tempo que você gasta para ganhá-lo. O texto contava como algumas pessoas mudaram sua vida, tornando-as mais descomplicadas, num movimento conhecido como simplicidade voluntária. Reproduzo alguns trechos:

“Dinheiro é tempo: o tempo que você gasta para ganhá-lo. E materialismo pode ser bom desde que você entenda como materialista aquela pessoa que valoriza tanto os bens materiais, mas tanto mesmo, que aproveita tudo o que pode deles, e, por isso mesmo, não precisa de muito para se satisfazer. Essas remexidas em velhos conceitos são algumas das propostas da simplicidade voluntária, um estilo de vida que passou a se propagar nos Estados Unidos nos anos 70, em resposta à sociedade de consumo, ganhou ecos em países como Canadá e França e, devagarzinho, chega ao Brasil. Pesquisas estimam que, nos Estados Unidos, cerca de 20 milhões de pessoas, 10% da população, estejam optando por uma vida materialmente mais comedida, pautada na convivência com a família, os amigos e a comunidade e no respeito à natureza, no sentido de fazer o máximo para preservar seus recursos. Uma maneira de viver que é exteriormente mais simples e interiormente mais rica, diz o escritor norteamericano Duane Elgin em seu livro Simplicidade Voluntária. O título do livro, lançado em 1981, deu nome a essa forma de viver.”
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“Além do tempo e da energia investidos para ganhar o dinheiro necessário para comprar bens, também é preciso mantê-los. Se uma pessoa tem uma casa na cidade, outra na praia e uma terceira no campo, precisa cuidar da manutenção. Se tem dois carros em vez de um, vai ao mecânico o dobro de vezes. Você fica ali, ticando coisas numa lista, em vez de estar tomando um café com um amigo. Existem pessoas que parecem viver para resolver os problemas dos bens materiais que têm”
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“A expressão simplicidade voluntária deixa claro que ter uma vida mais simples é questão de escolha, de estarmos mais conscientes do que queremos, de quais são os propósitos da nossa vida. E esclarece: não se deve confundir simplicidade com pobreza. Simplicidade é escolha, pobreza não. Simplicidade tampouco tem a ver com negar a tecnologia afinal, ela é muito útil. E muito menos significa mudar-se para uma cabana na floresta. A idéia é simplificar a vida onde se está, com o que se tem - e a maior parte das pessoas que já fazem isso vive nas cidades.”
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Assim, esse movimento de simplicidade nada mais é do que a busca por uma vida mais livre. Afinal, o exercício constante do desapego pode ser muito libertador. Como é também libertador
conseguir viver sem ceder às fórmulas mágicas e receitas prontas de como a vida deve ser. E aí, volto à Lya Luft, que fala o que pensa sem medo de ir contra a corrente. Sendo quem ela é. Tão fácil. Tão livre.


PS: O título do post é o nome de uma música dos anos 60, dos Young Rascals. Ouça na maravilha chamada You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=1ntcMjYL7hc

2 comentários:

Anônimo disse...

Re
Me identifiquei muito com o seu post. Venho tentando administrar, há anos, um start na minha cabeça de uma tão sonhada "liberdade". Não é fácil, pois tenho uma educação excessiva que não me permite muitas vezes em expor meus pensamentos por ir contrariamente a opinião de outros. VIVER EM COMUNIDADE. Aprendi a me desapegar das coisas materiais ao longo de inúmeras mudanças, logo eu que sou uma chata em relação a mudanças, sempre muito descrente dos apectos positivos, quando vejo to enaltecendo os apectos negativos. Acho que é um problema de DNA. Não posso negar minhas origens, meu marco zero. São a referência de vida que tenho e me orgulho muito deles (pai e mãe)! Caráter é algo que expressa liberdade. Isso ninguém tasca, ninguém leva e também me orgulho muito de possui-lo. Enfim, espero que em alguns momentos da minha vida, sabiamente consiga administrar o start na minha tão atormentada cabecinha!

"the best" disse...

experimente levantar algum tema numa mesa com jornalistas, seja qual for. todos terão uma opinião.
esse é o maior problema de jornalistas. eles nunca acham, eles sabem. jornalista tem opinião sobre tudo.