
Se o ano começa mesmo depois do carnaval, hoje é o dia certo para a volta deste blog: quarta-feira de cinzas. O dia em que, pela tradição cristã, tem início a quaresma, ou os quarenta dias que antecedem a Páscoa. O fim da farra.
Não fossem os quatro dias de pezinhos para o alto, nunca me lembro de que é carnaval. Já tive vontade, quando menina, de desfilar na Mangueira, apaixonada que era pelo Chico Buarque. Também já fui a bailes em clubes do interior. Mas a verdade é que o espírito carnavalesco nunca me contagiou de fato. Não consigo me contagiar pela euforia coletiva sem nenhum motivo real – mais ou menos como acontece no réveillon. E meu conceito de diversão não é exatamente ser espremida por uma multidão suada ao som de músicas de gosto totalmente duvidoso. É, carnaval não é pra mim. Nem futebol. O que meus amigos gringos nunca compreenderam muito bem - uma brasileira que não sabe sambar, não gosta do carnaval e não suporta futebol? Pois é, eu mesma, muito prazer.
Nos últimos anos, passei totalmente incólume pelo ziriguidum. Dessa vez não foi diferente. Não fosse a primeira página do jornal que está na minha porta todas as manhãs, nem teria sabido que foi carnaval. Não acompanho os desfiles com as gostosas da vez, as fofocas dos camarotes, as músicas e dancinhas grudentas dos trios elétricos. Isso gasta neurônio e, em tempos de crise, é bom economizar. Juro que meu cérebro agradece.
Já ia achando que o carnaval era passado, mas, há umas duas horas, liguei em um telejornal pra ver notícias enquanto almoçava. Preciso relatar o que ouvi. O apresentador: “Repórter fulana, daqui a pouco começa a apuração das escolas de samba do grupo especial do Rio. Há mudanças nos quesitos esse ano?” Responde a repórter: “Há sim, fulano. A ordem das notas para os quesitos mudou e isso pode influenciar os resultados.” O apresentador: “E como ficou a ordem?” A repórter: “Comissão de frente, harmonia, blá, blá, blá.”
Minha nossa, não sei como vivi até hoje sem essa informação! O jornal acabou, não vi uma só notícia importante do Brasil ou do mundo, mas descobri que o carnaval continua em Recife e Olinda.
E como o presidente afirmou que a crise é apenas uma marolinha, viva a folia! Mesmo com o fim de 140 mil postos de emprego formal desde o início do ano, não há porque se preocupar. Brasileiro é povo alegre. Não tem crise, desemprego, corrupção que o preocupe. Afinal, como dizia a marchinha, "não me leve a mal, pois é carnaval..."
Não fossem os quatro dias de pezinhos para o alto, nunca me lembro de que é carnaval. Já tive vontade, quando menina, de desfilar na Mangueira, apaixonada que era pelo Chico Buarque. Também já fui a bailes em clubes do interior. Mas a verdade é que o espírito carnavalesco nunca me contagiou de fato. Não consigo me contagiar pela euforia coletiva sem nenhum motivo real – mais ou menos como acontece no réveillon. E meu conceito de diversão não é exatamente ser espremida por uma multidão suada ao som de músicas de gosto totalmente duvidoso. É, carnaval não é pra mim. Nem futebol. O que meus amigos gringos nunca compreenderam muito bem - uma brasileira que não sabe sambar, não gosta do carnaval e não suporta futebol? Pois é, eu mesma, muito prazer.
Nos últimos anos, passei totalmente incólume pelo ziriguidum. Dessa vez não foi diferente. Não fosse a primeira página do jornal que está na minha porta todas as manhãs, nem teria sabido que foi carnaval. Não acompanho os desfiles com as gostosas da vez, as fofocas dos camarotes, as músicas e dancinhas grudentas dos trios elétricos. Isso gasta neurônio e, em tempos de crise, é bom economizar. Juro que meu cérebro agradece.
Já ia achando que o carnaval era passado, mas, há umas duas horas, liguei em um telejornal pra ver notícias enquanto almoçava. Preciso relatar o que ouvi. O apresentador: “Repórter fulana, daqui a pouco começa a apuração das escolas de samba do grupo especial do Rio. Há mudanças nos quesitos esse ano?” Responde a repórter: “Há sim, fulano. A ordem das notas para os quesitos mudou e isso pode influenciar os resultados.” O apresentador: “E como ficou a ordem?” A repórter: “Comissão de frente, harmonia, blá, blá, blá.”
Minha nossa, não sei como vivi até hoje sem essa informação! O jornal acabou, não vi uma só notícia importante do Brasil ou do mundo, mas descobri que o carnaval continua em Recife e Olinda.
E como o presidente afirmou que a crise é apenas uma marolinha, viva a folia! Mesmo com o fim de 140 mil postos de emprego formal desde o início do ano, não há porque se preocupar. Brasileiro é povo alegre. Não tem crise, desemprego, corrupção que o preocupe. Afinal, como dizia a marchinha, "não me leve a mal, pois é carnaval..."
Um comentário:
Oi, Rê,
bom tê-la de volta.
Eu também sou brasileira, mas não desisto nunca de tentar passar incólume pela folia.
Beijos,
Tati.
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