sexta-feira, 26 de setembro de 2008

É POR AQUI QUE VAI PRA LÁ?




Ninguém duvida que a cidade de São Paulo vai parar. Aliás, já está parando. Eu, que moro a dez minutos de carro do meu trabalho (e sou uma das pessoas mais privilegiadas que conheço), levei ontem quase meia hora no trajeto de cerca de três quilômetros. Tudo completamente parado. Por sorte, tenho como fazer caminhos alternativos. Mas não é assim pra maioria absoluta da população.

No último debate entre os candidatos a prefeitura de São Paulo, transmitido pela TV Bandeirantes, não ouvi nada que chegasse nem perto de apresentar uma proposta razoável ao que caminha para o caos. Uma extensa malha metroviária – e que cortasse toda a região metropolitana – talvez fosse a melhor solução, mas requer muito tempo e dinheiro até ser construída e, bem antes disso, a cidade pode não agüentar.

Trânsito é chato, é desgastante, é cansativo. É onde, acima de tudo, as pessoas revelam seu lado menor, mais primitivo, mais selvagem. No trânsito da cidade, já vi as mais estapafúrdias situações, de discussões a brigas. Isso mesmo, não é que eu li no jornal nem ouvi falar. Já vi. As pessoas não têm paciência, não têm respeito, não tem qualquer sentimento de coletividade. Ontem mesmo, um carro parou em frente a um pronto-socorro do meu bairro. Uma moça – que evidentemente passava mal, desceu rapidamente, e cambaleante. Logo trás, um sujeito que já vinha apressado há uma quadra, enfiou a mão na buzina e tratou de fazer seu sonoro protesto ao carro que atrapalhava o tráfego, numa demonstração de total intolerância e respeito. Um não devia ter parado no meio da rua, sem pensar nos demais. O outro foi intolerante, já que o primeiro estava numa situação de emergência.

Até eu, que dirijo com a calma de quem recita um mantra, já fui xingada de nomes impublicáveis aqui por um sujeito que não aceitou que eu tivesse dado passagem a um senhor e sua netinha que tentavam atravessar – na faixa! – em uma via movimentada. A boçalidade humana é mesmo sem limites. Isso fica evidente quando assistimos cenas patéticas de motoristas tentando que seus veículos ocupem o mesmo lugar no espaço – ao mesmo tempo – contrariando toda e qualquer lei da física. Ou seja, sujeito algum é capaz de dar passagem ao próximo. Todos têm que ser, sempre, o primeiro a passar.

Acho pedante ficar citando exemplos estrangeiros ainda mais porque trânsito não é exclusividade nossa, é problema mundial, iniciado com o desenvolvimento da indústria automobilística, mas, alguns bons exemplos de civilidade pudessem ser incorporados por nós. Nos Estados Unidos, em qualquer cruzamento sem farol – se você já dirigiu lá, sabe disso – há uma regra muito funcional de que cruza um carro de cada via, por ordem de chegada. E todo mundo segue. Assim, as duas transversais de um cruzamento andam, no mesmo ritmo, mesmo quando estão cheias.

Outra boa regrinha que não faria mal algum ao trânsito de pessoas no metrê é a que existe em Londres, onde todo mundo espera quem está dentro do vagão sair antes de querer entrar, evitando aquele empurra-empurra desesperado a cada estação.
Tão simples. Acontece que educação não surge do nada. Vem de hábito. Que vem de regras. Que devem ser impostas – e punidas quando descumpridas. Talvez pensar num código de educação e civilidade fosse um bom diferencial à mesmice desses candidatos a prefeitos do caos, que só fazem prometer coisas que, todos sabemos, não poderão cumprir.
Ontem, 25 de setembro, foi o dia Nacional do Trânsito. E mais um dia de caos em São Paulo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Minha querida Renata, o que está parando o trânsito, é a grande quantidade de carros circulando.
Carro hoje é igual estrias, qualquer "bundão" tem.
A falta de paciência, de educação, o comodismo e o sedentarismo das pessoas também contribuem para a grande loucura no trânsito. Na minha pequena cidade de 150 mil habitantes, o trânsito é uma bagunça. As pessoas usam o carro para se deslocarem por menos de mil metros. Em muitas cidades, a bicicleta seria a solução.

Forte abraço

CAUROSA - caurosa.wordpress.com

Anônimo disse...

Dia Nacional do Trânsito? Taí o problema. Todos saíram às ruas para comemorar!
Beijo,
Tati.

Anônimo disse...

Rê,
Seu comentário me lembra um dos filmes do Walt Disney que retrata o Pateta como motorista. A transformação dele de um ser pacato a um diabólico motorista e acompanhado pelo representante angelical e infernal durante o trajeto percorrido com o automóvel é impagável!
Na realidade, penso que o problema maior, no Brasil, é a total falta de educação. Não falo somente da participação da escola, mas o comprometimento dos pais em bons exemplos aos filhos, de respeito, cidadania e bom senso.
É um trabalho de formiga e precisa ser realizado por cada um de nós.
Acredito estar fazendo a minha parte e você(s)?