quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A MÁQUINA DO BIG BANG


Desde que vi, pela primeira vez, nos anos 80, a série Cosmos, apresentada pelo físico americano Carl Sagan, fiquei absolutamente fascinada e interessada pelas questões do universo. Como não pensar na origem do Universo? De que é formado? De onde vem e do que é feito tudo o que existe? Qual a origem da vida? Simplificando: de onde viemos e para onde vamos? Anos mais tarde, encontrei algumas reflexões profundamente interessantes sobre algumas dessas questões nos livros de divulgação científica de Marcelo Gleiser, Mário Novello e Ronaldo Mourão. Por conta da profissão, tive a felicidade e o prazer de entrevistar os três e tentar obter respostas para várias questões. O problema é que a ciência é feita muito mais de perguntas do que de respostas. Ciência se constrói com hipóteses que podem ser testadas, ou não, e podem permanecer como teorias apenas, já que nem sempre podem ser comprovadas. E, ao longo da História, todas as vezes em que a ciência conseguiu fazer a experimentação de algo que, até então, era um postulado teórico, medo, euforia e as mais variadas reações tomam conta da população em geral. O início do funcionamento do superacelerador de partículas é um claro exemplo disso. Construída em proporções gigantescas e a um custo astronômico, a poderosa máquina vai estudar a origem da massa, testando a existência e o funcionamento de um tal bóson de Higgs, que daria massa a todas as demais e, por isso, é também chamada de “partícula de Deus” (leia no caderno de ciência da Folha de hoje reportagem sobre o lançamento do LHC e a coluna do Marcelo Gleiser, no mesmo jornal, comentando o assunto). Houve gente que achasse que a Terra poderia ser engolida pela máquina, que iria recriar o momento da explosão do Big Bang (???). O negócio foi tão sério que uma garota indiana cometeu o suicídio, antecipando-se ao fim do mundo. O fato é que o mundo não acabou, nem na virada do milênio, nem ontem quando foi lançado o LHC (sigla do acelerador em inglês). Não houve nem uma grande explosão sequer, nada que lembrasse fogos de artifício, a passagem de um cometa, nada do gênero, nadinha. Tudo muito asséptico, dentro de um laboratório. Uma piscada na tela do computador. Nem por isso, menos importante.
Segundo o relato do repórter da Folha que acompanhou o lançamento, muita expectativa e tensão nos minutos que antecederam o início do experimento. Lembrei-me de Contato (o maravilhoso livro do Carl Sagan que virou lindo filme com Jodie Foster), em que é construída uma máquina para viagem no espaço/tempo usando coordenadas recebidas por sinais de rádio, vindas da estrela Vega. O LHC está muito longe disso, mas já mostrou ser possível algo que, há poucas décadas atrás, quando Sagan criou Contato e Cosmos, era inimaginável: fazer com que um feixe da espessura de um fio de cabelo viajasse na velocidade da luz.
A ciência ainda está a uma longa distância de obter respostas às perguntas que explicam os mistérios do universo, cuja composição é quase que totalmente ainda desconhecida pelos cientistas, mas, com o LHC, pode comprovar ou desconstruir a teoria até hoje mais aceita sobre sua origem, a do Big Bang. De qualquer forma, uma revolução para a física. Se o mundo não acabar nos próximos três anos, saberemos...

4 comentários:

Anônimo disse...

Seria egoísmo ou burrice em demasia acreditarmos que só o planetinha TERRA com os seus tenros 6 bilhões de aninhos, em um universo com aproximadamente 18 bilhões de anos pudesse conter vida. Não me refiro a vida humana, e sim vida em geral.
Parabéns aos esforços de todos os envolvidos e principalmente aos patrocinadores do Colisor de hádrons, afinal há muito por saber ainda!

Anônimo disse...

Rê,
continuo não entendo nada, mas tô só aqui na platéia - aplaudindo.
Bjs,
Tati.

Anônimo disse...

Oi Renata, menina que blog bacana e inteligente! Gostei e estarei sempre por aqui. Texto fantástico esclarecedor e o assunto é bastante instigante. Parabéns.

Forte abraço

CAUROSA - caurosa.wordpress.com

meus instantes e momentos disse...

vim para conhecer teu blog, muito bom teu modo de escrever, gostei daqui,.
Tenha uma bela tarde
Maurizio