
No último final de semana, usei umas horinhas de folga para fazer uma das coisas de que eu mais gostava quando era adolescente: gravar músicas. Se, naqueles tempos, eu pegava um punhado de LPs e gravava minha seleção em fitas K-7, agora pego um punhado de CDs e “ripo” para o computador – o que significa dizer: passo os arquivos de áudio para o formato MP3 e assim, tenho em um CD uma seleção de umas duzentas músicas.
Enquanto o filho e o marido tiravam uma sonequinha pós-almoço, embarquei na viagem musical: peguei uma coleção de CDs do Bob Marley e do Peter Tosh e comecei a gravar. Não ouvia Bob nem Tosh há anos, mas reggae tocava direto no meu 3 em 1 (se você tem mais de 30 sabe o que é isso) quando eu tinha entre 16 e 21 anos. Naquela época, eu costumava descer para Ubatuba com as amigas, onde pegávamos praia da hora em que acordávamos (não necessariamente de manhã) até o pôr-do-sol, passávamos a noite tomando cervejas no Império - onde rolava a paquera – até terminar a balada nos luaus da Vermelhinha. Ubatuba não era tão lotada como hoje. E não era um lugar perigoso. Não me lembro de ninguém ter sido assaltado naquela época. Não havia celulares para marcar os encontros, mas havia poucos lugares para ir e todo mundo se encontrava sempre. Também não havia a escova progressiva, então, as meninas usavam os cabelos no modelo original de fábrica. Os meus, cacheados e compridos, à la Claudia Ohana, eram populares na época. Eu andava com uma saia indiana pra cima e pra baixo, acompanhada das indefectíveis chinesinhas nos pés (aquelas sandalinhas de pano preto modelo boneca). Eu adorava, mais do que qualquer coisa, a sensação de liberdade que vivia quando estava na praia. Olhava o mar e fazia planos de vida. Me imaginava rodando o mundo em reportagens incríveis, salvando o planeta, estudando História, estudando línguas, vivendo as mais variadas aventuras. Sim, o que eu mais ansiava - como quase toda adolescente - era viver grandes aventuras e fortes emoções. Eu acreditava que tudo era possível. Fui me lembrando daquele tempo, do meu entusiasmo, das minhas crenças, dos meus sonhos. Senti muita saudade das grandes amigas com quem vivi intensamente todas aquelas emoções, dividindo os anseios, as descobertas e as experiências daquela fase.
Enquanto o filho e o marido tiravam uma sonequinha pós-almoço, embarquei na viagem musical: peguei uma coleção de CDs do Bob Marley e do Peter Tosh e comecei a gravar. Não ouvia Bob nem Tosh há anos, mas reggae tocava direto no meu 3 em 1 (se você tem mais de 30 sabe o que é isso) quando eu tinha entre 16 e 21 anos. Naquela época, eu costumava descer para Ubatuba com as amigas, onde pegávamos praia da hora em que acordávamos (não necessariamente de manhã) até o pôr-do-sol, passávamos a noite tomando cervejas no Império - onde rolava a paquera – até terminar a balada nos luaus da Vermelhinha. Ubatuba não era tão lotada como hoje. E não era um lugar perigoso. Não me lembro de ninguém ter sido assaltado naquela época. Não havia celulares para marcar os encontros, mas havia poucos lugares para ir e todo mundo se encontrava sempre. Também não havia a escova progressiva, então, as meninas usavam os cabelos no modelo original de fábrica. Os meus, cacheados e compridos, à la Claudia Ohana, eram populares na época. Eu andava com uma saia indiana pra cima e pra baixo, acompanhada das indefectíveis chinesinhas nos pés (aquelas sandalinhas de pano preto modelo boneca). Eu adorava, mais do que qualquer coisa, a sensação de liberdade que vivia quando estava na praia. Olhava o mar e fazia planos de vida. Me imaginava rodando o mundo em reportagens incríveis, salvando o planeta, estudando História, estudando línguas, vivendo as mais variadas aventuras. Sim, o que eu mais ansiava - como quase toda adolescente - era viver grandes aventuras e fortes emoções. Eu acreditava que tudo era possível. Fui me lembrando daquele tempo, do meu entusiasmo, das minhas crenças, dos meus sonhos. Senti muita saudade das grandes amigas com quem vivi intensamente todas aquelas emoções, dividindo os anseios, as descobertas e as experiências daquela fase.
As músicas iam rolando e eu revia rostos, lugares, paisagens, sons e cheiros. Memória é uma coisa curiosa: você tem certeza de que suas lembranças são reais, embora pareçam, com o tempo, cenas de um filme que você assistiu, e você começa a se perguntar o que aconteceu de fato e o que você imagina que tenha acontecido....
Foi me dando saudade. Senti muita vontade de reviver algumas coisas, de sentir as mesmas emoções e sensações de novo, de encontrar pessoas que já não estão mais aqui... Não é só o tempo que passa. As pessoas mudam, a vida toma rumos imprevisíveis e surpreendentes, o espaço geográfico se transforma. Nos distanciamos – das pessoas, dos lugares, do passado e, também, de nós mesmos.
Fiquei feliz por ter conseguido, recentemente, recuperar um bocado da adolescente que fui: na capacidade de sonhar e de fazer planos com entusiasmo e determinação, na crença de que a humanidade ainda tem jeito e, principalmente, na liberdade e no descompromisso de saber que, em alguns momentos, nada é mais importante do que sentir a brisa do mar com os cabelos soltos e o peito aberto.
Acho que aquela adolescente nunca foi embora, de fato. Pelo menos a saia indiana ainda mora, até hoje, no fundo de uma gaveta do armário. Nunca mais a usei, mas ela sempre esteve lá. Os cabelos também mudaram bastante, mas agora voltaram às origens. Em algum momento da vida, sempre voltamos ao ponto de partida.
Acho que aquela adolescente nunca foi embora, de fato. Pelo menos a saia indiana ainda mora, até hoje, no fundo de uma gaveta do armário. Nunca mais a usei, mas ela sempre esteve lá. Os cabelos também mudaram bastante, mas agora voltaram às origens. Em algum momento da vida, sempre voltamos ao ponto de partida.
3 comentários:
Olá Renata, que belo texto, coisa boa poder recordar momentos maravilhosos ao som das músicas que marcaram nossas vidas. Infelizmente eu passei boa parte da minha adolescência jogando, correndo e saltando( saudades do Atletismo)e as minhas lembrança são de esporte. A música só apareceu na minha vida de forma marcante quando surgiram as primeiras paixões. Muita paz, harmonia e inspiração para vocês.
Forte abraço
caurosa.wordpress.com
Oi, Rê,
adorei suas observações (do três em um às mudanças que sofremos durante a vida). É erosão que não acaba mais...
Beijo
Rê,
Lágrimas correm em meu rosto neste exato momento! Não são de tristeza e sim de alegria, sendo que as sensações jamais são esquecidas é só preciso dedicar um breve tempo a recordar e deixar rolar!!!!!!
Bjo grande
DRI
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