Pra mim, o mundo dos leitores (atenção - pessoas que lêem mesmo, e não vale só revista ou bula de remédio) divide-se em duas categorias: pessoas que gostam de ler e pessoas que não só amam ler, mas que têm tara por livros. Para esses – e já aviso logo que me enquadro nesse grupo - não basta ler; é preciso ter os livros, ficar admirando a coleção na estante, apalpar, sentir o cheiro, a textura do papel...
Ter livros não é só hábito - como a leitura -, é uma mania. No meu caso, a mania foi herança do meu pai, que sempre gostou de livros e sempre teve muitos em casa. Pencas deles. De clássicos da literatura universal aos obrigatórios das ciências humanas, passando por alguns best-sellers, a biblioteca dele nunca parou de crescer. Lá, com espaço de sobra, os livros se espalham confortavelmente em estantes robustas no escritório e em uma sala. No meu caso, sem tanto espaço, os livros se acumulam no escritório, no quarto, na sala, na cozinha...
Como para todo maluco há sempre outro igual, descobri meu par ao ler a coluna do querido Ignácio de Loyola Brandão, sexta passada no Estadão. Escritor e jornalista de primeira grandeza, Ignácio tem uma coleção de livros que se esparrama pelo chão dos cômodos de sua casa e contou as mais absurdas e estapafúrdias reações das pessoas que vão à casa dele e se deparam com tantos livros.
Eu, que não recebo tanta gente – e quem vai já me conhece – não sou vítima das reações de estranheza aos exemplares empilhados pela casa, mas ouço, vez ou outra: "tá faltando espaço? por que não doa um pouco desses livros?" Nunca. Jamais. Em hipótese alguma. Posso até me livrar da mesa de jantar, da televisão, do sofá... Mas dos meus livros não me separo de jeito maneira. Na-na-ni-na-não!
E se você acha que isso é uma tremenda maluquice, meu caro, ela não pára por aí. Primeiro: não leio livros emprestados (a não ser de biblioteca ou os do meu pai). E também não empresto mais. O risco de não voltarem é um sofrimento sem fim. Segundo: sou capaz de passar uns bons minutos (tá bom, já passei algumas horinhas, confesso) olhando os livros na estante, sem nem tocar neles. Tem mais: adoro abrir exemplares a esmo e ler uma ou duas páginas. E, para completar, pelo menos uma vez por ano, organizo tudo de novo por gênero, assunto, autor...
Os livros que já li são facilmente identificáveis: sempre ficam com a lombada toda marcada - gosto de abrir bem as páginas quando estou lendo – a abertura me dá a sensação de entrar totalmente no universo do que está escrito ali. E é bom dizer: nunca marco páginas com a bagana (ou orelha) dos meus livros. Afinal, um bom livro merece um marcador bacana.
Mas o que todo leitor que se preze nunca deixa de ter – como escreveu o Ignácio – é a pilha de livros a ler. O meu montinho de próximas leituras cresce todos os dias e me angustia com a vontade de passar horas do dia só lendo. Fica bem ao lado da cama, no criado mudo, à mão para a leiturazinha minha de cada dia - invariavelmente antes de dormir.
Ler é mesmo uma paixão sem meio-termo. Não conheço ninguém que goste mais ou menos de ler ou que leia "só de vez em quando". Já ouviu alguém dizer: "Não, obrigado, só leio socialmente". Ou ainda: "Ah, já li muito, agora estou dando um tempo..." Ao contrário de esportista, não existe leitor de fim de semana.
Engraçado é como aqueles que não entendem essa mania acham inútil ter tanto livro em casa. Já eu, devo confessar também, sempre observo, quando chego à casa das pessoas, onde estão os livros e quais são. E acho triste, muito triste, quando me deparo com aquelas salas bem decoradas, com cara de revista, onde tudo está no lugar – e não há nem um livrinho à vista sequer. Fico pensando se não os moradores ali não lêem e como é a vida sem leitura. No mínimo, muito solitária. Dizia uma tia minha, quando eu era criança, que quem está na companhia de um bom livro nunca está sozinho. Sendo assim, devo dizer que sempre estive muito bem acompanhada.
Ter livros não é só hábito - como a leitura -, é uma mania. No meu caso, a mania foi herança do meu pai, que sempre gostou de livros e sempre teve muitos em casa. Pencas deles. De clássicos da literatura universal aos obrigatórios das ciências humanas, passando por alguns best-sellers, a biblioteca dele nunca parou de crescer. Lá, com espaço de sobra, os livros se espalham confortavelmente em estantes robustas no escritório e em uma sala. No meu caso, sem tanto espaço, os livros se acumulam no escritório, no quarto, na sala, na cozinha...
Como para todo maluco há sempre outro igual, descobri meu par ao ler a coluna do querido Ignácio de Loyola Brandão, sexta passada no Estadão. Escritor e jornalista de primeira grandeza, Ignácio tem uma coleção de livros que se esparrama pelo chão dos cômodos de sua casa e contou as mais absurdas e estapafúrdias reações das pessoas que vão à casa dele e se deparam com tantos livros.
Eu, que não recebo tanta gente – e quem vai já me conhece – não sou vítima das reações de estranheza aos exemplares empilhados pela casa, mas ouço, vez ou outra: "tá faltando espaço? por que não doa um pouco desses livros?" Nunca. Jamais. Em hipótese alguma. Posso até me livrar da mesa de jantar, da televisão, do sofá... Mas dos meus livros não me separo de jeito maneira. Na-na-ni-na-não!
E se você acha que isso é uma tremenda maluquice, meu caro, ela não pára por aí. Primeiro: não leio livros emprestados (a não ser de biblioteca ou os do meu pai). E também não empresto mais. O risco de não voltarem é um sofrimento sem fim. Segundo: sou capaz de passar uns bons minutos (tá bom, já passei algumas horinhas, confesso) olhando os livros na estante, sem nem tocar neles. Tem mais: adoro abrir exemplares a esmo e ler uma ou duas páginas. E, para completar, pelo menos uma vez por ano, organizo tudo de novo por gênero, assunto, autor...
Os livros que já li são facilmente identificáveis: sempre ficam com a lombada toda marcada - gosto de abrir bem as páginas quando estou lendo – a abertura me dá a sensação de entrar totalmente no universo do que está escrito ali. E é bom dizer: nunca marco páginas com a bagana (ou orelha) dos meus livros. Afinal, um bom livro merece um marcador bacana.
Mas o que todo leitor que se preze nunca deixa de ter – como escreveu o Ignácio – é a pilha de livros a ler. O meu montinho de próximas leituras cresce todos os dias e me angustia com a vontade de passar horas do dia só lendo. Fica bem ao lado da cama, no criado mudo, à mão para a leiturazinha minha de cada dia - invariavelmente antes de dormir.
Ler é mesmo uma paixão sem meio-termo. Não conheço ninguém que goste mais ou menos de ler ou que leia "só de vez em quando". Já ouviu alguém dizer: "Não, obrigado, só leio socialmente". Ou ainda: "Ah, já li muito, agora estou dando um tempo..." Ao contrário de esportista, não existe leitor de fim de semana.
Engraçado é como aqueles que não entendem essa mania acham inútil ter tanto livro em casa. Já eu, devo confessar também, sempre observo, quando chego à casa das pessoas, onde estão os livros e quais são. E acho triste, muito triste, quando me deparo com aquelas salas bem decoradas, com cara de revista, onde tudo está no lugar – e não há nem um livrinho à vista sequer. Fico pensando se não os moradores ali não lêem e como é a vida sem leitura. No mínimo, muito solitária. Dizia uma tia minha, quando eu era criança, que quem está na companhia de um bom livro nunca está sozinho. Sendo assim, devo dizer que sempre estive muito bem acompanhada.
Antes de terminar quero deixar bem claro que essa idéia de que os livros não existirão mais e que as pessoas lerão tudo no computador não pega com quem é apaixonado por livros. Quem ama ler, em geral, gosta também de pegar no livro, sentir as páginas, o cheiro, virar as folhas, levar o livro embaixo do braço (não me venha com essa de laptop!). Quem gosta de ler gosta de livro. E, se você é dessa turma, sabe muito bem do que é que estou falando.
Boas leituras!
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Se você curte ler e quer trocar experiências sobre leitura, visite o site do Leia Livro: http://www.leialivro.sp.gov.br/. Lá, os internautas trocam dicas de livros, falam sobre os livros que estão lendo e até criam suas próprias histórias. O projeto do Leia Livro foi criado pelo amigo Juliano Spyer para a Secretaria de Cultura do Estado.
Faça uma varredura nos sebos do país através do site http://www.estantevirtual.com.br/ e encontre até aquele livro raro que você deseja há tempos. Mesmo para lançamentos das editoras, os preços são muito melhores do que os praticados nas livrarias.
Vá ao site da Memória do Roda Viva http://www.rodaviva.fapesp.br/ e veja – em breve!! - a bela entrevista que o bibliófilo José Mindlin deu ao programa em dezembro de 2006.
Se você curte ler e quer trocar experiências sobre leitura, visite o site do Leia Livro: http://www.leialivro.sp.gov.br/. Lá, os internautas trocam dicas de livros, falam sobre os livros que estão lendo e até criam suas próprias histórias. O projeto do Leia Livro foi criado pelo amigo Juliano Spyer para a Secretaria de Cultura do Estado.
Faça uma varredura nos sebos do país através do site http://www.estantevirtual.com.br/ e encontre até aquele livro raro que você deseja há tempos. Mesmo para lançamentos das editoras, os preços são muito melhores do que os praticados nas livrarias.
Vá ao site da Memória do Roda Viva http://www.rodaviva.fapesp.br/ e veja – em breve!! - a bela entrevista que o bibliófilo José Mindlin deu ao programa em dezembro de 2006.
2 comentários:
Oi, Rê,
já que você citou o Ignacio, li há menos de um mês um livro dele que nem é novidade, o "A Veia Bailarina". Gargalhei sozinha.
Com certeza quem tem um livro nunca está só.
Beijo!
Rê!!!!!!
Nossa, eu amei seu blog! E me encaixo demais no perfil. Gostei muito da parte: não basta ler, tem que amar vê-los na estante, sentir o cheiro etc...Eu sou assim!!! E acho que até por isso, não sei se é pura idiotice ou mania, mas sou capaz de comprar um livro apenas pela sua capa! hahahahahahah
Ah e sempre quero deixá-los à mostra. Não suporto livro dentro de armário.
Legal saber do blog! Saudades. Aproveita e passa lá no meu.
http://agentecuida.blogspot.com
é novinho em folha.
beijocas
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